OPERAÇÃO GUTENBERG: JUSTIÇA DETERMINA SOLTURA DE SERVIDOR
Postada em 17 julho 2026, 16:25:00
O servidor público Geancarlo Leal de Freitas, preso durante a Operação Gutenberg, deixou a prisão após a Justiça revogar sua prisão preventiva. A decisão foi tomada depois que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) solicitou a medida, diante da conclusão de que não havia elementos que indicassem participação do servidor nos fatos investigados.
A Operação Gutenberg foi deflagrada para apurar um suposto esquema de desvio de aproximadamente R$ 27 milhões em recursos públicos por meio de contratos firmados entre prefeituras e empresas do setor editorial para aquisição de livros.
Ainda conforme a defesa, Geancarlo atua há 26 anos no serviço público como fiscal de obras particulares, nunca respondeu a processos judiciais e não possui ligação com os investigados nem com as empresas citadas na operação.
Outro investigado beneficiado por decisão judicial foi Joatan Gomes Peixoto. A prisão preventiva dele foi substituída por prisão domiciliar, com uso obrigatório de tornozeleira eletrônica por, no mínimo, 180 dias. A defesa informou que o pedido foi fundamentado em razões humanitárias, destacando a necessidade de assistência à filha de 21 anos, que tem síndrome de Down, além dos cuidados prestados à mãe, que se recupera de uma cirurgia cardíaca.
De acordo com o Gaeco, Joatan figura entre os responsáveis pela Editora Avante, empresa apontada como uma das peças centrais do suposto esquema investigado. Conforme o Ministério Público, a editora teria participado da movimentação de recursos públicos por meio de contratos firmados com diversas prefeituras para fornecimento de materiais didáticos.
As investigações indicam que a empresa seria controlada, de forma indireta, por integrantes da família Jafar, apontada como líder da organização criminosa. O grupo é suspeito de utilizar terceiros para ocultar a verdadeira administração da editora e facilitar a movimentação dos recursos.
Segundo o MPMS, além de supostas fraudes em processos de contratação pública, a organização também é investigada por lavagem de dinheiro e ocultação da origem dos valores obtidos. A apuração ainda aponta que servidores públicos teriam favorecido municípios que contratavam a editora e condicionado a liberação de serviços de saúde à aquisição dos livros comercializados pelo grupo.
A Operação Gutenberg resultou na prisão de 15 pessoas. Até o momento, Geancarlo teve a prisão revogada por ausência de indícios de participação nos fatos, enquanto Joatan e Jessyca Duarte Burgatt obtiveram o benefício da prisão domiciliar. Um dos investigados apontados como líder do grupo permanece foragido.
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