Tem uma música do grupo Ira que diz: “Nas manhas de Domingo, Parece que todos olham pra você”. Não quero referir as manhãs de domingo para este prisma, pois, me vem à memória muitas manhãs de domingo de décadas passadas, como as décadas de oitenta e noventa. Podemos enumerar vários fatos que ocorriam no passado, muitas pessoas tinham suas rotinas dominicais, tais como: o dia para dormir até mais tarde; levantar cedo para ir à missa; levantar cedo para ir à feira; levantar cedo para ir visitar um amigo ou parente na área rural; levantar cedo para fazer uma caminhada; levantar cedo para pedalar; levantar cedo para ir jogar bola com os amigos de trabalho ou de infância.

Nem sempre o levantar cedo era o principal, alguns levantavam mais tarde, um pouco, com o intuito de irem às igrejas para participarem das escolas bíblicas dominicais, outras pessoas aproveitavam a oportunidade para irem às praias, clubes com o objetivo de nadar ou tomar um sol. Não podemos esquecer que no passado era uma praxe ficar em frente a um aparelho de televisão, nas manhãs de domingo, para ver mais uma vitória de Airton Senna da Silva e ouvir a narração do Galvão Bueno e os comentários de Reginaldo Leme, quando afirmavam que foi mais uma conquista brilhante, foi vencida de ponta a ponta ou as ultrapassagens foram mirabolantes.

Podemos ainda lembrar do programa show do esporte, na rede bandeirantes de televisão, atração comandada pelo saudoso Luciano do Valle, onde era apresentado um grande número de modalidades esportivas, tais como, o boxe com o Maguila, a sinuca com o Ruy Chapéu e outras celebridades esportivas da época. E quem não tinha afeição para a parte esportiva, vinha o início de várias apresentações de auditórios, entre os quais tinha Silvio Santos. Com o passar dos anos e bem recente ao caminharmos pelas cidades era visível os bares, padarias e lanchonetes com suas mesas cheias de pessoas, tomando o café da manhã, tomando suas cervejas, comendo uma carne assada, batendo papo, onde rolava todos os tipos de conversas, como futebol, política, e não sair ninguém da roda, pois, o que saísse era motivo de comentário.

Estamos no ano de 2020, ano de pleito eleitoral, ocasião que o pré-candidato aparecia nos locais de concentração de pessoas, cuja conversa principal era sobre a política visando a sua visibilidade e oportunidade de expor suas ideias ou para criticar esse ou aquele pretenso candidato, ocorre que tudo está vedado. As lanchonetes, bares, padarias e locais de aglomerações de pessoas não estão em funcionamento.

No início mencionamos várias atividades que eram exercidas no passado, e hoje ao conversarmos com qualquer pessoa surge um comentário tendo no seu âmago a palavra saudade. Temos saudade de irmos à igreja participar da escola bíblica dominical, participar da missa, ir à feira, bater papo na esquina, participar de atividades recreativas em grupo, visitar os amigos ou parentes.

Qual é motivo da saudade? Nos dias atuais tudo está proibido, porque estamos passando por uma pandemia que podemos chamar de corona vírus ou COVID-19. Os eventos religiosos estão proibidos ou realizados com restrições, as práticas recreativas não estão sendo realizadas, as rodas de conversas não existem, e quando surge alguma aglomeração em um curto espaço de tempo chega alguém para advertir sobre a proibição, e a cada momento vem uma notícia sobre o aumento de contaminados ou novos números de mortos pelo vírus. O que fazer para que as nossas manhãs de domingo sejam como passado? É uma pergunta não muito fácil de responder, mas tem resposta, então como poderemos responder? Mas qual é a réplica? Estamos vivendo em um tempo de pandemia.

O que pandemia? Você quer saber mesmo? Então vai a resposta, pandemia é: Epidemia com grande disseminação: epidemia, surto, contágio, flagelo, praga, mal, peste, pestilência e andaço. Quando isso vai acabar? Interessante, todos querem saber, porém, ninguém tem a palavra final, mas na verdade, a minha atitude pode colaborar no sentido de evitar o sofrimento de muitos, pois, com certeza, não quero ver o meu semelhante contaminado pelo COVID-19. E você quer ser contaminado ou ver alguém da sua família, amigo querido, hospitalizado precisando de ir para uma unidade de tratamento intensivo – UTI e não ter vaga? Além do mais, muitos poderão dizer que não será atingido pelo corona vírus, mas esquece que poderá perder o emprego ou sua fonte de renda.

Coloque a mão na cabeça, em qualquer parte, feche os olhos e pense por um curto espaço de tempo no seguinte tema: “o que poderei fazer ou colaborar para evitar a disseminação desse vírus”, e ainda, “se eu for contaminado, e precisar de uma UTI, vai ter uma pra minha pessoa?” Então, vamos seguir as orientações das autoridades e lutar para termos inesquecíveis manhãs de domingo.

Por Jacinto Dias - Advogado