A sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News foi obstruída nesta 3ª feira (17.set.2019), por deputados do PSL e de partidos da base aliada do governo. Além de tentarem anular a sessão anterior, eles também obstruíram a votação da ata da reunião. Oposição e deputados ligados ao governo protagonizaram queda de braço.

 

A comissão, instalada em 4 de setembro, visa apurar, entre outros assuntos, o uso de perfis falsos para espalhar fake news e influenciar o resultado das eleições de 2018. Deputados irão debater também o vazamento das conversas entre integrantes da Lava Jato.

A deputada Bia Kicis (PSL-DF) explicou que a sigla não é contrária às investigações, mas disse que a CPMI foi desvirtuada. “Nós não podemos concordar com isso. Tem muitos vícios na origem. Eu concordo que todos queremos jogar luz no tema, mas você não pode jogar luz quando tudo começa de forma sombria e obscura. Daí porque a nossa indignação, a nossa insatisfação e o nosso trabalho de obstrução. Para protegermos a verdade”, explicou.

A oposição petista criticou a obstrução. A deputada e relatora da Comissão, Luizianne Lins (PT-CE), disse que não entendeu a lógica do PSL de obstruir uma CPMI que foi deliberada pela Câmara e pelo Senado. “Ou seja, deputados e senadores de acordo. Totalmente dentro da legalidade e as pessoas estão obstruindo para que não seja investigado. Então não deveriam estar na CPMI”, completou.

Já o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) ressaltou que a comissão só foi instalada porque os objetivos estavam claros. “Eu não sei o que assusta tanto os deputados do PSL e o próprio governo em avançar nessa discussão. Será que há algum temor de que haja alguém do governo envolvido em algum processo de fake news? Será que é essa a preocupação?”, indagou.

O PSL rebateu citando que o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad teria sido condenado por fake news. “Eles falam, falam, falam que o PSL tem medo que seja investigado. Que o Bolsonaro isso, o PSL aquilo (…) Mas vamos aos fatos. Quem foi condenado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por divulgação de notícias mentirosas foi o candidato Haddad”, acusou o deputado Filipe Barros (PSL-PR).

A deputada Natália Bonavides (PT-RN) defendeu o candidato do PT às eleições presidenciais de 2018 – multado pelo TSE por impulsionar notícias negativas contra Jair Bolsonaro – ao afirmar que a decisão não diz que os textos eram falsos.

Por causa da obstrução, a relatora da comissão, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), apenas leu a proposta de plano de trabalho, que não pode ser discutida, nem votada. Pelo plano, a relatora pretende fazer na semana que vem 1 encontro para determinar o que deve ser caracterizado como fake news. Já em outubro, a proposta é realizar 1 debate sobre cyberbullying, crimes de ódio e suicídio.

Empresas no debate

Na última 3ª feira (10.set), a CPMI aprovou na Câmara o requerimento para convocar os representantes legais no Brasil das empresas Whatsapp; Google; Twitter; Facebook; YouTube e Telegram. A ordem veio da deputada Luizianne Lins, que considerou ser “imprescindível” ter informações de pessoas que ocupam funções importantes nessas empresas.

O senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ) foi contra os requerimentos de Luizianne e afirmou que a CPMI não apresenta 1 fato determinado e que a convocação das empresas é uma tentativa de criar motivo para a existência do colegiado. “Na verdade o que está claramente visto aqui por qualquer 1 é que vão trazer aqueles que instrumentalizam as redes sociais ou os meios de conversa privados para começar a buscar 1 fato determinado, se é que ele existe, e não está configurado aqui”, argumentou.

Ameaças

O senador Humberto Costa (PT-PE) informou aos colegas que o presidente da CPMI, senador Angelo Coronel (PSD-BA), recebeu ameaças de morte pelo trabalho na comissão.

Em entrevista à revista Veja na última 6ª feira (13.set), Coronel afirmou que as ameaças somente o estimula. “É muito preocupante que ainda existam pessoas que precisam se esconder porque não têm coragem de exercer a crítica de forma aberta, franca e democrática. Vamos trabalhar para coibir isso”, disse o senador.

Coronel afirmou a revista que começou a receber, em seu e-mail funcional, mensagens anônimas que diziam que o senador não sabia com quem estava ele “mexendo” e que prometiam “encher sua boca de chumbo”.

Autor:

Poder360

*Com informações da Agência Câmara Notícias